Onde te vês daqui a cinco anos? Quais são os teus maiores pontos fortes e fracos?

Estas são provavelmente as perguntas mais receadas numa entrevista de emprego. Porque na verdade não há resposta certa. Podes ter um objetivo profissional em mente, como tornares-te CEO, ou um mais pessoal. Se és dono de uma empresa, talvez queiras expandir os teus negócios e conquistar o mundo. É aí que te vês daqui a cinco anos? Bem, então é melhor começares a trabalhar.

Assim que ele fundou a Workable,Nikos Moraitakis teve inevitavelmente que olhar para ela de uma perspetiva global – e perceber literalmente onde é que o seu negócio estaria dali a cinco anos. O popular software de recrutamento começou como uma simples plataforma online na Grécia, mas os seus primeiros dez clientes nem sequer estavam no país. Para o CEO da Workable, isto foi uma vantagem: “Nós iniciámos sabendo que havia um mercado muito pequeno, assim, desde o princípio que sabíamos que isto serio bem-sucedido nalguns grandes países europeus e nos EUA”.

O ditado diz: “Quando se tem uma casa pequena, sai-se muito”, e Nikos Moraitakis diz que nunca realmente olhou para o mercado doméstico. Agora a empresa tem 6.000 clientes em 80 países.

Então, como é que a Workable fez a mudança da costa do Mediterrâneo para, praticamente, o resto do mundo?

Numa entrevista connosco, Nikos Moraitakis aborda as questões em que as empresas precisam de pensar quando analisam a expansão internacional: como planeá-la e como atender os seus clientes em todo o mundo. Abaixo vais encontrar um resumo das suas observações.

A tática número um: planeia com antecedência

Para a Workable, era tudo uma questão de estar sempre um passo à frente. Eles pensaram em tudo com antecedência. “Mesmo quando a empresa estava cheia de gregos, todos os documentos estavam em inglês. Porque sabíamos que a próxima onda de funcionários seria internacional.” Nikos Moraitakis salienta que, “Quando se vê procura num lugar, é preciso andar depressa e assumir um compromisso de vendas.”

Como a maioria dos clientes da Workable estava baseada nos EUA, fazia sentido abrir um escritório lá. Nikos Moraitakis decidiu mudar-se para os EUA, a fim de demonstrar a sua dedicação. Ele não acha que é necessariamente o papel do fundador hastear uma bandeira, mas acha útil. Ele acrescenta: “Quando se é realmente pequeno, tudo o que se tem para vender é a si mesmo e a visão da empresa e do seu futuro”.

O que se seguiu foi a contratação de uma equipa local, o que pode ter sido a parte mais desafiadora da globalização. Além de possivelmente não teres nenhuma marca no mercado, também não tens uma marca de patrão, o que significa que é difícil atraires pessoas para participarem no teu negócio. “Ninguém te conhece, por isso não tens acesso às melhores pessoas de lá”, explica Nikos Moraitakis. O passa-palavra vai longe, mas primeiro precisas de atrair as poucas pessoas que te irão ajudar a estabelecer a cultura e a marca da empresa no mercado, tornar-te conhecido e, consequentemente, atrair mais e mais pessoas para o teu negócio..

Acertar na cultura: contratar equipas locais

O outro grande desafio é ajustar-se à cultura local. Mesmo que Nikos Moraitakis acredite firmemente na criação de novos mercados com o próprio pessoal, também compreende como é importante “ter pessoas locais, cultura local e não apenas uma cópia daquilo que tens, mas noutro lugar. Elas precisam de um pouco de vida própria. ”Podes tentar reproduzir o máximo possível da cultura da tua sede nos teus escritórios locais, mas inevitavelmente a cultura local mostrará a sua influência. Isto torna-se particularmente real quando se começa a contratar pessoas que não falam inglês.

Nikos Moraitakis dá o exemplo da presença da Workable na Ásia. “Começas a ter um segmento da tua força de trabalho que, provavelmente, não pode aproveitar da mesma forma os teus materiais e documentos internos. Temos muitos clientes na Ásia e estamos a estabelecer gradualmente a nossa presença lá, e eu sei que em breve chegaremos ao ponto em que não queremos que a língua inglesa seja uma restrição ao talento que procuramos. ” No entanto, também não queres separar muito as culturas das teus equipas regionais, porque queres evitar uma dinâmica de “nós versus eles” entre a sede e os escritórios locais.

Os teus clientes também esperam um ajuste à sua cultura. Provavelmente começarás com “algumas dúzias de clientes de qualquer país que não se importem de trabalhar contigo em inglês”, mas eventualmente irás deparar-te com clientes que querem apoio nativo. “Precisas definitivamente que as pessoas vendam [o produto] e o apoiem para que se adapte à língua e à cultura locais.”

Relativamente à decisão de para onde expandir, Nikos Moraitakis coloca a questão de forma simples: “Seguimos os clientes”. Existem também certos eventos externos que podem funcionar como uma oportunidade para as empresas crescerem. Ele dá o exemplo recente da conformidade com o RGPD. Embora as empresas da UE precisem de estar em conformidade em qualquer caso, ele acha que “pode ser uma oportunidade para as empresas americanas – se conseguirem demonstrar que pensaram sobre este desafio, podem mostrar-se relevantes de uma maneira que poderia ter sido difícil de outro modo.”

Faz tudo mais cedo, em vez de mais tarde

“Faz mais cedo – porque inevitavelmente terás que lutar para isso. E dá-te mais tempo.

Quanto ao conselho primário, é começar mais cedo. Ter que se ajustar à cultura local e ser rápido em estabelecer a sua marca num novo mercado não são segredos, mas são mais difíceis do que as pessoas antecipam. Nikos Moraitakis acredita que “se tiveres que resolver isso quando já fores muito grande, serás menos ágil”.

Por isso, se conquistar o mundo está na tua mente, quanto mais cedo assumires o desafio, melhor. Agora já sabes por onde começar.