Faço uma coisa muito irritante.

Sempre que falo português, tenho a tendência a utilizar palavras em inglês no meio das frases. É estranho, eu sei. Mas o meu cérebro não é suficientemente rápido. Suponho que leva o seu tempo para mudar a cassete de um idioma para outro.

O questão é que falo 4 línguas, e ainda sou mau a traduzir. No outro dia, não conseguia encontrar a palavra portuguesa para “accurate” numa conversa com a minha mãe (e o português é a minha primeira língua).

Mas isto só acontece comigo? Ou a tradução é uma arte para poucos? E porque é tão difícil?

Verdade seja dita, a tradução não é tão simples quanto parece.

A mesma palavra, diferentes significados

Quando lês a palavra inglesa “nail” o que te vem à cabeça? As unhas que tens nos dedos das mãos e dos pés, ou as peças de metal pontiagudas usadas na construção?

Bem, a palavra “nail” é como muitos outras na língua inglesa, tem diferentes significados. É o que os linguistas chamam polissemia, e torna o trabalho de qualquer tradutor mais difícil.

É por isso que as traduções literais são estranhas e, muitas vezes, perigosas – quero dizer que podem até levar a atos de guerra.

No entanto, para evitar que estes erros ocorram, normalmente é útil ter em conta o contexto.

Se alguém diz: “Preciso de arranjar as minhas unhas” – sabemos que a pessoa provavelmente não está a falar sobre martelar pregos na parede…

A cultura é tudo

O significado depende muito do contexto, frequentemente enquadrado pelas culturas das línguas envolvidas. E a tradução é o compromisso entre respeitar o texto de origem e a necessidade de torná-lo compreensível no idioma no qual o estamos a transformar.

Por exemplo, em português, a palavra “saudade” é muito difícil de traduzir porque é muito específica da cultura portuguesa. É quando se deseja uma coisa que está ausente ou alguém que se ama, e se tem essa sensação de profunda melancolia. Então, como se traduz uma palavra que não existe na maioria dos idiomas?

E não são apenas palavras, mas também a forma como nos dirigimos à pessoa com a qual estamos a falar, ou como se traduzem expressões culturais. Se usares a expressão inglesa “de A a Z”, como traduzes isso para um idioma como Mandarim que não segue o alfabeto latino?

A linguagem é restritiva

A tradução é encontrar o significado equivalente a uma frase num idioma diferente mas, na maioria das vezes, não possuímos as palavras equivalentes exatas. Não há nenhuma palavra como “insight” em espanhol, ou uma palavra para dizer “shallow” em francês.

Todas as línguas tem as suas próprias restrições, o que pode, realmente, prejudicar uma boa tradução.

Vejamos o francês, por exemplo, é uma linguagem muito marcada pelo género. Temos pronomes, substantivos e adjetivos masculinos e femininos. No entanto, o inglês é diferente. Em inglês, podemos dizer “o meu amigo está a chegar”, sem divulgar o género do teu amigo, mas em francês é simplesmente impossível. Terias de especificar o género do teu amigo porque o substantivo tem de ser masculino (“ami”) ou feminino (“amie”).

Como traduzes isso? Como sabes se o “amigo” é ele ou ela?

Falsos amigos em linguagem (é uma armadilha!)

Lembras-te das palavras estrangeiras que parecem familiares? Não consigo pensar num melhor exemplo do que “constipated”.

Em português, a palavra “constipado” significa que tens o nariz entupido, mas em inglês a palavra similar “constipated” significa que tens dificuldade em esvaziar os intestinos. Embora provavelmente similar em sentido biológico, é também obviamente diferente.

O mesmo para a palavra espanhola “embarrazada”. Parece “embarassed” em inglês, certo?

Errado. Na verdade, significa “grávida”.

Isto é o que os linguistas chamam de falsos amigos, palavras em duas línguas diferentes que parecem ou soam semelhantes, mas diferem significativamente de significado.

Suponho que, realmente, não devemos julgar um livro pela sua capa.

Por fim, pode dizer-se traduzir é muito complexo. Porque não se trata apenas de palavras. Mas sobre o que são as palavras.

[Ed: e agora uma palavra dos nossos patrocinadores…]

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